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sábado, 21 de maio de 2011

ESPAÇO URBANO E ESPAÇO RURAL

Essa semana estive fazendo alguns estudos sobre Espaço Urbano e Espaço Rural, assunto esse que sempre gostei de abordar durante a minha graduação em Geografia. Hoje já graduada desde de 2008, continuo minhas leituras e a cada dia encontro coisas novas, e desfaço algum conceito do qual eu tinha,por isso que é tão importante a busca diária pelo conhecimento.Nesse artigo darei alguns exemplos de Portugal, onde estive em 2008 e tive oportunidade de conhecer algumas de suas cidades.

A organização das Áreas Urbanas

Ø
OBJETIVOS:

  1. 1.Diferenciar espaço rural de espaço urbano.
  2. Referir os critérios nacionais de definição de centro urbano, de vila e de cidade.
  3. Analisar a complementaridade entre o espaço urbano e o espaço rural.
  4. Identificar e caracterizar os diferentes tipos de plantas.
  5. Caracterizar as áreas funcionais do espaço urbano.
  6. Relacionar as principais funções das diferentes áreas urbanas com as características da população residente.
  7. Relacionar a diferenciação do espaço urbano com os transportes urbanos.
  8. Relacionar a localização das diferentes funções urbanas com o valor do solo (renda locativa).
  9. Explicar a interdependência locativa das diferentes funções.
  10. Localizar a indústria no espaço urbano.

Durante muitos séculos foi fácil identificar uma cidade.

“Lugar de concentração de determinadas actividades económicas, como, por exemplo, artesãos, comerciantes, militares, as cidades estavam, ainda protegidas por muralhas.”

  • ØContudo, o aumento da população e o desenvolvimento dos transportes, da indústria conduziram ao crescimento das cidades e à sua expansão para fora dos antigos limites, invadindo as áreas rurais.
  • ØAs trocas entre a cidade e o campo intensificaram-se e muitas áreas rurais começaram a apresentar uma diversificação profissional e funciona.


COMO DEFINIR CIDADE?


Na realidade cada um de nós tem uma imagem mental da cidade, a qual, no entanto, nem sempre corresponde a uma definição rigorosa.
Não existe uma definição precisa e universal de cidade, o que explica as dificuldades que sentimos sempre que pretendemos utilizar algum rigor nesta matéria.
Cada país recorre a critérios diferentes para atribuir a um centro urbano a categoria de cidade, sendo os mais utilizados:
A POPULAÇÃO ABSOLUTA, A DENSIDADE POPULACIONAL E A DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO ATIVA PELOS DIFERENTES SETORES DE ATIVIDADE.



O CASO DE PORTUGAL

  • *Portugal regista valores baixos quanto à taxa de urbanização, quando comparado com os restantes parceiros europeus.
  • *Este atraso assenta no tardio desenvolvimento industrial do nosso país e na manutenção da agricultura como principal actividade até à década de 60 do século passado.
  • *As aglomerações urbanas portuguesas têm em geral raízes históricas longínquas e desenvolveram-se em duas grandes áreas geográficas do País:
  • *NA FAIXA LITORAL – Entre Viana do Castelo e Alcácer do Sal.
  • *NA REGIÃO FRONTEIRIÇA – com destaque para as cidades com funções defensivas localizadas em pontos altos da paisagem.

OS ESPAÇOS RURAL E URBANO MANTÊM RELAÇÕES DE COMPLEMENTARIDADE EM QUE CADA UM FORNECE AO OUTRO EXACTAMENTE AQUILO DE QUE NECESSITA.


ESPAÇO URBANO

  1. Centro de escoamento de produtos agrícolas;
  2. Centro de informação para as actividades produtivas;
  3. Pólos de atracção para indústrias agro-alimentares;
  4. Centros de divulgação cultural;
  5. Centros de controlo da vida política e económica.

ESPAÇO RURAL

  1. Produtos Alimentares;
  2. Áreas diversificadas de recreio e lazer;
  3. Contacto com o ambiente natural;
  4. Disponibilidade de mão-de-obra.



A DEFINIÇÃO DE CIDADE


Delimitar o que é uma cidade é uma tarefa complexa pois envolve várias componentes e pode assentar em diversos critérios:
ESTATÍSTICOS OU DE MÍNIMOS POPULACIONAIS – baseia-se no número de habitantes e pode ir de 200 a 30 000 consoante os países.
ADMINISTRATIVOS E POLÍTICOS (Históricos) – Por ter capacidade de decisão, ser capital regional ou distrital ou ter beneficiado de forais ou concessões régias.
FUNCIONAIS – Caracterizam-se pelo predomínio de actividades económicas não agrícolas.
DENSIDADE POPULACIONAL – Relaciona as maiores densidades populacionais com o habitat urbano em contraste com o rural mais disperso.
PAISAGÍSTICO OU FISIONÓMICO – Prende-se com o tipo de construção dominante e os materiais utilizados, as características das ruas, o tráfego ou a poluição.
MODO DE VIDA – Inclui formas de vestir, ritmos de vida ou comportamentos sociais.


PARA SER CIDADE EM PORTUGAL:

-Mais de 8000 eleitores em aglomerado contínuo;
-Pelo menos metade dos seguintes equipamentos:

  • ØInstalações hospitalares com serviço de permanência;
  • ØFarmácias
  • ØCorporação de Bombeiros
  • ØSala de espectáculos e centro cultural
  • ØMuseu e Biblioteca
  • Estabelecimento de ensino preparatório e secundário
  • Estabelecimento de ensino pré-primário e infantário
  • Transportes públicos urbanos e suburbanos
  • Parques ou jardins públicos
  • Instalações de hotelaria


A MORFOLOGIA URBANA


O estudo da morfologia urbana faz-se pela análise da planta das cidades, que tendo conhecido uma grande evolução ao longo do tempo apresentam plantas mistas em que se misturam os diferentes tipos. Os principais tipos de plantas são:

PLANTA ORTOGONAL OU EM QUADRÍCULA




  • ØCaracteriza-se por apresentar cruzamentos em forma de ângulos rectos.
  • ØNesta morfologia as casas agrupam-se em quarteirões.
  • ØEste tipo de traçado generalizou-se na fase industrial, facilitando a circulação dos transportes modernos e a ampliação que as cidades conheceram nesta época.
  • ØAs ruas tornam-se muito ventosas dificultando a orientação devido à semelhança das mesmas.

Teve a sua origem nas cidades medievais pelo facto de ter de se adaptar a uma topografia irregular.
As ruas mais importantes partem do centro e dirigem-se radialmente para as portas do recinto fortificado.
Outras ruas secundárias fazem círculo à volta do centro ligando entre si as primeiras.

AS FUNÇÕES URBANAS

CONCEITOS BÁSICOS

FUNÇÃO URBANA – Actividade económica, político-administrativa ou social, que se desenvolve no centro urbano.
ÁREAS FUNCIONAIS – são áreas que se distinguem por apresentarem uma certa homogeneidade em termos de funções.
DIFERENCIAÇÃO FUNCIONAL – Consiste na diversidade de áreas funcionais existentes numa cidade.
BAIXA OU CBD (Central Business District) – Área localizada no centro da cidade, por vezes coincidente com o núcleo histórico, de grande acessibilidade e onde existe uma grande concentração de edifícios ocupados por funções terciárias.
ESPECULAÇÃO FUNDIÁRIA – Sempre que se verifica um forte desequilíbrio entre a oferta e a procura, quando a procura é muito superior à oferta os preços do solo atingem valores muito elevados e muito superiores ao seu valor real.
RENDA LOCATIVA – É a teoria que defende que as rendas ou valor do solo urbano diminuem com a distância ao centro, observando-se assim, um decréscimo com a distância.


A cidade normalmente desempenha diferentes tipos de funções relativamente ao espaço em que se integram, podendo apresentar uma que se destaca das outras.

As principais funções urbanas (desempenhadas pelas cidades) são:

* Função político-administrativa – locais onde se encontram as sedes de poder e decisão estatal.
* Função Económica – Nas cidades localizam-se as sedes das grandes empresas, dos bancos, das companhias de seguros, assim como toda a actividade comercial que contribui para o dinamismo económico da cidade.
* Função cultural e científica – Esta função está ligada à presença de importantes centros de investigação e universidades nas cidades.
* Função residencial – A cidade é um importante local de fixação de pessoas que aí residem.
* Função Religiosa – Existem cidades onde esta função condiciona a vida da população e o crescimento urbano.
* Função militar – É uma função de menor importância na actualidade mas que teve grande importância no caso de cidades fronteiriças.

AS ÁREAS FUNCIONAIS


Ao analisarmos a cidade sob o aspecto funcional, constatamos a existência de funções que não se localizam de forma dispersa e anárquica no espaço urbano, tendendo, pelo contrário, a organizar-se em áreas específicas que apresentam uma certa homogeneidade e que por isso se chamam:

ÁREAS FUNCIONAIS

A forma como se distribuem estas áreas funcionais nas cidades faz com que elas sejam diferentes umas das outras, sendo por isso um factor de identidade da cidade.
As áreas funcionais que compõe a cidade são:
A BAIXA OU CENTRO (CBD – Central Business District), ÁREA RESIDENCIAL, A ÁREA INDUSTRIAL E A PERIFERIA OU SUBÚRBIOS



A DIFERENCIAÇÃO FUNCIONAL DAS CIDADES


A diferenciação funcional no espaço urbano está relacionada com alguns factores, nomeadamente a variação do preço do solo e a acessibilidade. O centro da cidade é o local privilegiado em termos de acessibilidade e de concentração de actividades, sendo por isso, a área da cidade onde se registam os valores mais elevados do solo. A grande concorrência e a concentração das actividades terciárias numa área restrita conduzem a uma forte competição pelo espaço gerando um desequilíbrio entre a oferta e a procura. Esta situação conduz:

A acessibilidade não é uniforme em todo o espaço urbano sendo este um dos factores mais importantes na variação do solo urbano. Verifica-se uma diminuição da acessibilidade do centro da cidade para a periferia e, logicamente, uma diminuição do preço do solo.
O centro da cidade por ser a área mais central e de maior acessibilidade é a mais cara.
Este processo de subida do preço do solo levou a que as baixas das maiores cidades passassem a ser quase exclusivamente ocupadas por actividades terciárias perdendo a sua dimensão residencial um processo designado por SEGREGAÇÃO FUNCIONAL.


O CENTRAL BUSINESS DISTRICT (CBD)

O CBD caracteriza-se pela boa acessibilidade em termos de transportes colectivos, pela grande concentração de actividades terciárias e pelo intenso tráfego de veículos e peões.
Entre as actividades terciárias que podemos encontrar no CBD destacam-se as do terciário superior (sedes dos bancos, Bolsa de Valores, companhias de seguros, níveis superiores da Administração Pública, Ministérios, Governos Regionais, etc.)

  • ØA forte concentração de actividades numa área relativamente restrita leva a uma intensa competição pelo espaço e ao elevado valor do solo.
  • Ø Este fato conduziu ao desenvolvimento dos edifícios em altura, com a substituição de edifícios por outros mais altos com uma arquitectura diferente mais adaptada ás novas necessidades.
  • Ø No zonamento vertical observa-se o predomínio do comércio no rés-do-chão e 1º andar, correspondem a funções que necessitam de grande contacto com o consumidor.
  • Ø As funções com menor necessidade de contacto com o público ocupam os andares superiores, como armazéns e alguma pequenas unidades industriais.
  • Ø A habitação está confinada aos andares superiores podendo ser ocupada por uma população envelhecida e de fracos recursos ou por uma população com uma boa situação económica.


O ZONAMENTO HORIZONTAL

  • Ø Para além das ruas principais e secundárias, o zonamento horizontal traduz-se na presença de áreas especializadas e na distribuição das mesmas.
  • Ø O centro financeiro distingue-se do centro de comércio e do centro de diversões.
  • Ø Nas áreas limítrofes do centro pode ainda formar-se uma área dominada pelo comércio grossista, agências de navegação, de importação e exportação e de serviços de saúde.

AS ÁREAS RESIDENCIAIS

  • üA função residencial foi sempre importante nas cidades europeias ao contrário das cidades norte-americanas que por serem mais modernas têm a sua área central quase exclusivamente ocupada pelo sector terciário.
  • ü Em Portugal o despovoamento do CBD deu-se um pouco mais tarde do que no resto da Europa embora sempre houve na cidade bairro ricos e bairros pobres.
    É possível afirmar que as cidades definem um processo de SEGREGAÇÃO SOCIAL delimitando áreas de acordo com as características sociais da população que nelas habitam. Esta diferenciação social resulta de factores como:
  • * O valor do solo;
  • * A qualidade ambiental;
  • * O enquadramento paisagístico;
  • * A acessibilidade ao centro ;
  • * A proximidade de equipamentos;
  • * A segurança e a tranquilidade.

ØA localização das áreas residenciais no espaço urbano foi determinada em função da distância ao centro que influencia toda a organização da cidade.
ØCom a ocupação do centro pelas actividades terciárias a função residencial foi-se distribuindo pelo espaço intra-urbano estabelecendo espaços muito bem definidos em termos residenciais.


Com a apropriação do centro pelas actividades económicas, as áreas residenciais foram-se distribuindo pelo espaço intra-urbano organizando-se de acordo com as características do mesmo em função:
Da acessibilidade ; Da qualidade ambiental; Das infra-estruturas de apoio

Estabelecem-se assim espaços bem definidos em termos residenciais:


AS CLASSES MAIS ALTA

Optam por localizações com boa acessibilidade em locais com bons equipamentos e um comércio diversificado e requintado. Nestes bairros podemos encontrar habitações unifamiliares e plurifamiliares, com uma arquitectura agradável e atraente, apartamentos espaçosos e luxuosos, espaços exteriores aprazíveis, com jardins e espaços verdes. Estes bairros apresentam baixas densidades populacionais, fraca intensidade de trânsito e baixos índices de poluição.


AS CLASSES DE RENDIMENTOS MÉDIO

  • ØSão os bairros de classe média que ocupam a maior parte do solo urbano. A diminuição do preço do solo com o aumento da distância em relação ao centro e a menor acessibilidade tornam possível à classe média suportar os preços da habitação.
  • ØEstes bairros são plurifamiliares e não apresentam a harmonia e qualidade arquitectónica dos bairros das classes mais elevadas, registando as habitações uma área inferior.

AS CLASSES MAIS BAIXAS

  • ØAs calasses de menos recursos habitam normalmente em bairros camarários ou de habitação social, construídos pelas autarquias ou pelo Estado. Estes bairros apresentam, por vezes, grandes carências ao nível dos equipamentos e das actividades terciárias.
  • ØOutra localização possível das classes mais baixas são os antigos bairros residenciais na imediações do centro histórico que se foram degradando devido ao aumento da poluição, excesso de trânsito e falta de espaços verdes. Aqui habita uma população idosa ou recém-chegada à cidade que ocupam os andares superiores, sótãos e quartos, em condições de habitabilidade muito precárias.
  • ØFinalmente podemos ainda encontrar os bairros clandestinos ou de lata. Constituídos por barracas, sem o mínimo de condições situam-se e antigas lixeiras, pedreiras desactivadas ou na fronteira entre concelhos. Estes bairros estão associados a problemas como a toxicodependência e a marginalidade.


por Luana Flávia

2 comentários:

  1. Muito obrigado és uma anjo *.*

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  2. nao disses.te a diferença entre espaço rural e espaço urbano

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